Sankofa Angola 2026: Luanda afirma a ancestralidade como ponte para o futuro africano

Conferência Internacional “Sankofa Angola & Business Expo 2026 – Conexão Ancestral” aproxima tradição, academia, cultura, juventude, empreendedorismo e diáspora africana

LUANDA, 24 DE AGOSTO DE 2026 — A Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Agostinho Neto (UAN) acolheu, esta segunda-feira, a Conferência Internacional Sankofa Angola & Business Expo 2026, subordinada ao tema “Conexão Ancestral”, reunindo em Luanda representantes de diferentes países africanos, membros da diáspora, lideranças tradicionais, académicos, investigadores, artistas, empreendedores, organizações culturais e agentes ligados à promoção da identidade africana.

Mais do que uma conferência, a iniciativa constituiu-se como uma plataforma de memória, reflexão, intercâmbio e afirmação da africanidade, colocando a ancestralidade, a identidade, os conhecimentos tradicionais e o desenvolvimento no centro de um diálogo entre diferentes gerações e geografias.

Sob a filosofia Sankofa — olhar para o passado para recuperar referências capazes de orientar o futuro — o encontro procurou aproximar saberes ancestrais e contemporâneos, através da cultura, ciência, arte, liderança, educação e empreendedorismo.

LIDERANÇAS TRADICIONAIS E PENSAMENTO AFRICANO

Entre as presenças de destaque estiveram o Rei Joshua Maponga III e a Rainha Mambokadzi Aluko, do Zimbabwe, cuja participação conferiu ao encontro uma dimensão de liderança tradicional e pensamento africano contemporâneo.

Joshua Maponga III é associado a reflexões sobre identidade africana, ancestralidade, filosofia, conhecimento tradicional e pensamento pan-africano, contribuindo para debates sobre a recuperação de referências africanas na construção das sociedades contemporâneas.

A presença das lideranças tradicionais reforçou a dimensão simbólica de uma conferência dedicada à recuperação da memória e à valorização de conhecimentos transmitidos entre gerações.

ÁFRICA E DIÁSPORA REENCONTRAM-SE EM LUANDA

A programação reuniu igualmente personalidades provenientes de diferentes espaços do continente e da diáspora africana, entre elas o Ancião Faia Kongo, ligado à tradição Rastafari; Simba Mteta (Cmd. Machel), filho do antigo Presidente moçambicano Samora Machel; Mama Africa, Aminata GoubelProf. Dagoberto Fonseca, do Brasil; Hamida Mbaga, da Tanzânia; Adelaide Tatchemo, dos Camarões; e a Diva do Teatro em Angola, Dra. Agnela Barros, entre outros convidados especiais.

A participação do Prof. Dagoberto Fonseca representou igualmente o Sankofa Brasil e a diáspora, na qualidade de mentor do projecto “A Grande Travessia” e líder da delegação oficial brasileira presente no Sankofa Angola 2026. Liderou igualmente a delegação do Brasil composta pelos os seguintes integrantes: Claudiane Marcondes Rocha Leovergilio, (sua esposa) cidade de Araraquara; Dra. Maura Dias Fonseca de Paulo, Psicoterapeuta cidade de Indaiatuba; o casal Deoclecio Borges e Marley de Fátima Morais Borges – cidade de Franca; E a Professora Rosicler Lemos da Silva, também da cidade de Franca

O encontro reforçou, deste modo, uma das linhas estruturantes do movimento: criar espaços de reconexão entre África, Brasil, diáspora e comunidades de matriz africana espalhadas pelo mundo.

UNIVERSIDADE AGOSTINHO NETO ACOLHE DEBATE SOBRE IDENTIDADE E CONHECIMENTO

A dimensão académica esteve representada pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Agostinho Neto, instituição anfitriã da conferência.

Vice-Decana da Faculdade de Ciências Sociais da UAN, Adelina Alberto, participou no encontro e foi a entidade escolhida para proceder à abertura oficial da conferência.

A edição S.AO/2026 contou igualmente com a colaboração técnica do professor e sociólogo Paulo de Carvalho, contribuindo para aproximar a agenda Sankofa das áreas de investigação e produção de conhecimento.

A presença da academia permitiu ampliar o debate para além da dimensão simbólica da ancestralidade, estabelecendo pontes entre sociologia, antropologia, história, cultura, ciência e conhecimento tradicional.

MEMÓRIA BANTU: FAMÍLIA DE MAFRANO PARTICIPA NO ENCONTRO

Outro momento de particular significado foi a participação da família de Maurício Francisco Caetano (Mafrano), autor de Os Bantu na Visão de Mafrano, representada pela Dra. Luisíndia Caetano.

A presença da família assumiu especial relevância numa conferência centrada na memória e nas raízes africanas, considerando o contributo de Mafrano para o registo de tradições, costumes, estruturas sociais e manifestações culturais dos povos Bantu.

A participação permitiu estabelecer uma ponte entre a investigação histórica e a necessidade contemporânea de preservar, estudar e transmitir o património intelectual produzido por gerações anteriores.

ANTROPOLOGIA ANGOLANA REFORÇA A DIMENSÃO CIENTÍFICA

Representantes da Associação de Antropólogos de Angola, entre eles Isaías de Lemos, também marcaram presença no encontro.

A participação de especialistas das ciências sociais reforçou a importância de sustentar o debate sobre ancestralidade através de investigação, documentação, análise e produção científica.

A conferência procurou, assim, aproximar diferentes formas de conhecimento, reduzindo as fronteiras entre academia, tradição, cultura e experiências comunitárias.

MEMÓRIA, REPARAÇÃO E JUSTIÇA HISTÓRICA

Associação Angolana para Reparações Históricas, representada por dois representantes de honra, acrescentou ao programa uma dimensão relacionada com memória histórica, justiça, reparação e reconstrução das relações entre África e a diáspora.

A presença da organização inseriu no debate temas relacionados com os impactos históricos da escravidão e do colonialismo e com a necessidade de construir novas relações entre os povos africanos e as suas comunidades da diáspora.

MULHERES AFRICANAS NO CENTRO DA MEMÓRIA E DA COMUNIDADE

A participação de Fernanda Carolina e Sister Rosa Kahanda, ligadas ao Sagrado Feminino em Angola e ao ONDJANGO DAS MULHERES AFRICANAS, reforçou a presença feminina na reflexão sobre identidade, ancestralidade e construção comunitária.

As intervenções contribuíram para evidenciar o papel das mulheres na preservação da memória, transmissão de valores, educação cultural, organização comunitária e liderança social.

JUVENTUDE E CAPOEIRA RECEBEM DELEGAÇÕES

A juventude também encontrou espaço de protagonismo no Sankofa Angola 2026.

Um grupo de jovens capoeiristas angolanos, os Guerreiros de Luanda, abrilhantou na recepção das delegações internacionais, criando um primeiro momento de contacto entre os visitantes e a comunidade anfitriã.

A recepção, incluindo a chegada do Rei Joshua Maponga III e da Rainha Mambokadzi Aluko, foi marcada por uma expressão cultural que conjuga corpo, música, disciplina, memória e identidade afrodescendente.

A juventude assumiu, desta forma, não apenas o papel de espectadora, mas de participante activa na experiência cultural.

RAÍZES EM CENA COLOCA AS LÍNGUAS NACIONAIS NO CENTRO DA CULTURA

Entre os momentos culturais de destaque esteve o projecto Raízes em Cena, plataforma artística angolana dedicada à valorização das identidades, memórias, línguas e expressões culturais de Angola, através das artes cénicas e de outras linguagens criativas.

Com uma abordagem contemporânea e afrocentrada, o projecto procura transformar a diversidade cultural angolana em narrativas capazes de dialogar com diferentes gerações, aproximando tradição, contemporaneidade, educação, formação e investigação.

Durante o encontro, o Raízes em Cena, representado por Marlen Ndinelao, referenciou a sua representação institucional pela DIGITECHNOLOGY e apresentou uma intervenção cénica com aproximadamente 10 minutos, protagonizada por três jovens mulheres.

Cada intérprete expressou-se numa língua nacional diferente: Kikongo (Kiala), Kimbundu (Capemba) e Oshiwambo (Ndilelao).

A intervenção trouxe para o espaço da conferência uma representação concreta da diversidade linguística angolana, apresentando as línguas nacionais como instrumentos vivos de transmissão de conhecimento, memória e pensamento colectivo.

A encenação desenvolveu-se a partir de uma crítica social, explorando, através do diálogo entre as três intérpretes, diferentes percepções sobre a realidade contemporânea.

A articulação entre língua, corpo, interpretação e reflexão social conferiu ao momento uma linguagem cénica própria, demonstrando como a criação artística pode funcionar como espaço de diversidade, diálogo intercultural e valorização do património linguístico.

A participação do Raízes em Cena acrescentou ao Sankofa Angola 2026 uma dimensão ligada à educação cultural, formação artística, preservação das identidades linguísticas e transmissão intergeracional do património imaterial angolano.

VLADIMIRO GONGA TRANSFORMA MEMÓRIA MUSICAL EM EXPERIÊNCIA COLECTIVA

A dimensão musical esteve marcada pela presença do cantor, compositor, violonista e pesquisador angolano Vladimiro Gonga, cuja sonoridade cruza referências tradicionais de Angola com Jazz e Bossa Nova, construindo uma linguagem afro-jazz de inspiração retro-moderna.

Gonga realizou duas performances principais e participou igualmente num dos momentos de distinção do programa, durante a homenagem a dez figuras escolhidas pela organização.

Com voz e violão, revisitou referências da Música Popular de Angola, conduzindo o público por repertórios que atravessam gerações.

A participação espontânea do público em coros durante interpretações como “Umbi Umbi”, de Valdemar Bastos, e “Muxima”, de Rui Mingas, transformou a apresentação num momento de memória colectiva.

ARTES CONTEMPORÂNEAS AMPLIAM A EXPRESSÃO DO SANKOFA

A programação artística contou igualmente com convidados como o rapper Britxela Ulombe, o músico Euclides Kamanda e o Grupo Teatral TUWIZANE, reforçando a diversidade de linguagens presentes na iniciativa.

A presença destes artistas demonstrou que a discussão sobre ancestralidade também encontra expressão nas linguagens musicais, performativas e cénicas contemporâneas, através das quais as novas gerações reinterpretam as suas raízes.

BUSINESS EXPO LIGA CULTURA, IDENTIDADE E ECONOMIA CRIATIVA

A componente Business Expo procurou transportar a reflexão cultural para o campo da produção, empreendedorismo e economia criativa.

Entre os expositores esteve a Kindu Laboratório, dedicada à produção de cosméticos aromáticos e medicinais à base de plantas, bem como a Melunda e a Oylanda Yeto, ligadas ao artesanato e à produção de acessórios afro.

A participação destes projectos demonstrou como saberes tradicionais, recursos naturais, estética africana e empreendedorismo podem encontrar novas formas de valorização económica.

A feira funcionou, assim, como complemento à conferência, associando cultura, identidade, criatividade e negócios.

ORGANIZAÇÕES AFROCENTRADAS REFORÇAM A PLURALIDADE DO ENCONTRO

Entre as organizações e movimentos presentes estiveram a UMAPA – União dos Movimentos Afrocêntricos e Pan-Africanistas de Angola, a Amora-Rastafari Angola, com representantes de honra ligados à tradição Rastafari, e “A Voz do Professor”, representada pelo Dr. Jaime Temba e Muzamba Chaves.

A diversidade institucional e comunitária evidenciou a amplitude do movimento Sankofa e a convergência de diferentes perspectivas em torno da valorização da africanidade.

SANKOFA COMO PLATAFORMA INTERNACIONAL DE RECONECTIVIDADE

A coordenação da iniciativa reuniu representantes de diferentes núcleos e redes, incluindo Kwabo Mabula, da UDA – União da Diáspora Angolana no Reino Unido, líder da delegação proveniente do Reino Unido especialmente para participar no Sankofa Angola 2026.

A articulação da edição contou igualmente com diferentes membros e parceiros ligados à organização, entre eles Daltron Costa, Nelson Bartolomeu, Kipopo Yakidi e Mariza Júlio.

O encontro consolidou a visão do Sankofa enquanto plataforma de ligação entre memória, identidade, cultura, conhecimento, empreendedorismo e desenvolvimento.

DIGITECHNOLOGY E PRESSDIGI DOCUMENTAM O ENCONTRO

A realização da conferência contou com o apoio da DIGITECHNOLOGY, através da presença de técnicos de imagem e comunicação ligados ao PRESSdigi.ao.

A equipa assegurou o acompanhamento multimédia e a documentação do encontro, incluindo registo fotográfico, produção editorial, conteúdos digitais e o serviço PHOTO EXPRESS, apresentado ao público durante a actividade.

A participação da DIGITECHNOLOGY enquadra-se na sua área de actuação em produção multimédia, cobertura de eventos, comunicação institucional, fotografia documental e criação de conteúdos digitais.

DOZE PALAVRAS PARA TRADUZIR A EXPERIÊNCIA SANKOFA

Na leitura editorial do PRESSdigi, a Conferência Internacional Sankofa Angola & Business Expo 2026 ultrapassou a lógica de um evento convencional.

Durante a jornada, diferentes conhecimentos científicos, culturais, artísticos e ancestrais cruzaram-se numa mesma plataforma, criando um ambiente de partilha entre gerações, países, comunidades e formas distintas de compreender a africanidade.

A experiência foi sintetizada por Kikalakalu Kia Díbya através de doze palavras:

UNIDADE | AFRICANIDADE | IDENTIDADE | HUMANIDADE | CONECTIVIDADE | IRMANDADE | SOCIEDADE | UNIVERSALIDADE | CAPACIDADE | SUSTENTABILIDADE | ESPIRITUALIDADE | ANCESTRALIDADE.

A síntese traduz uma leitura segundo a qual o Sankofa não procura apenas revisitar o passado, mas transformar a memória em ferramenta de reflexão, conhecimento e construção do futuro.

“VIVENDO O PRESENTE PARA JUNTOS CONSTRUIRMOS UM FUTURO PRÓSPERO”

A mensagem que atravessou a conferência ganhou uma dimensão prática através do lema:

“Vivendo o presente para juntos construirmos um futuro próspero.”

A formulação serviu como eixo simbólico de uma iniciativa que procurou aproximar tradição e modernidade, conhecimento ancestral e ciência, cultura e economia, África e diáspora.

A filosofia Sankofa parte precisamente da ideia de que olhar para trás não significa regressar ao passado, mas recuperar referências capazes de orientar novos caminhos.

2027: PAUSA EM ANGOLA E NOVAS ROTAS INTERNACIONAIS

Coordenação Geral do Sankofa Angola anunciou que não haverá uma edição do Sankofa Angola em 2027, decisão relacionada com o calendário geral de preparação e realização do processo eleitoral em Angola.

A agenda internacional do movimento deverá, entretanto, prosseguir com novas etapas fora do país.

Está prevista a realização do Sankofa Zimbabwe, entre Junho e Julho de 2027, e do Sankofa Brasil, apontado para Novembro do mesmo ano.

A pausa em Angola deverá permitir a reorganização da agenda e a preparação de novas possibilidades de intercâmbio e expansão internacional.

“A GRANDE TRAVESSIA” PREPARA NOVA ROTA ANGOLA–BRASIL

Entre os projectos associados ao movimento destaca-se “A Grande Travessia”, iniciativa de carácter histórico e cultural que prevê, para 2027, um cruzeiro marítimo entre Brasil e Angola.

A proposta procura transformar simbolicamente uma rota marcada pela história da escravidão numa nova travessia de reencontro, reconexão, memória, intercâmbio cultural e cooperação socioeconómica entre o Brasil e o continente africano.

O projecto poderá constituir uma das expressões da agenda de reparação histórica e reconexão afro-diaspórica defendida pelo movimento Sankofa.

UM ENCONTRO QUE DEIXA UMA AGENDA PARA O FUTURO

A Conferência Internacional Sankofa Angola & Business Expo 2026 encerra uma etapa, mas deixa aberta uma agenda de reflexão que poderá continuar através de novas iniciativas, conteúdos, debates e projectos.

A diversidade dos participantes revelou um denominador comum: a necessidade de conhecer e valorizar as próprias raízes para construir novas formas de presença africana no mundo.

Em Luanda, ancestralidade, academia, cultura, arte, tradição, empreendedorismo, juventude e diáspora cruzaram-se numa mesma plataforma.

O desafio que permanece é transformar a energia produzida pelo encontro em conhecimento, projectos, cooperação, sustentabilidade e continuidade.

Para o PRESSdigi, o Sankofa Angola 2026 representa, por isso, não apenas um acontecimento pontual, mas um capítulo de uma agenda maior de reconexão cultural entre Angola, África e a diáspora, cuja evolução continuará a ser acompanhada através das histórias, personagens e projectos que emergem deste movimento.


FICHA | SANKOFA ANGOLA 2026

Evento: Conferência Internacional Sankofa Angola & Business Expo 2026
Tema: “Conexão Ancestral”
Data: 24 de Agosto de 2026
Local: Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Agostinho Neto, Luanda
Eixos temáticos: Ancestralidade, identidade, memória, cultura, conhecimento, línguas nacionais, empreendedorismo, economia criativa, juventude, reparação histórica e desenvolvimento
Coordenação: Sankofa Angola 2026, em articulação com parceiros nacionais e internacionais
Apoio multimédia: DIGITECHNOLOGY | PRESSdigi.ao | PHOTO EXPRESS

Fonte principal: REDE NACIONAL | PRESSdigi – REPORTAGEM ESPECIAL SANKOFA ANGOLA 2026

Alinhamento Editorial: PRESSdigi.ao

Repórter / Produção Editorial: Kikalakalu Kia Díbya | Daltron Costa

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